O que Deus tem desenhado em mim?

                  Meus irmãos, estamos no mês de Agosto, e neste mês comumente nos voltamos para rezar pelas diversas vocações. E levado por esta recordação, hoje a simplicidade de uma cena me fez perceber o quanto Deus se serve de muitas delas para revelar e comunicar os seus “desígnios” a nosso respeito. Ao ver um dos meus alunos desenhando, fui no embalo do movimento de suas inocentes mãos e vi que Deus como um nobre Artista não parece ser diferente daquele aluno. Já me explico: tal como aquela criança ou mesmo um artista que no compasso da criatividade sobre uma folha a partir dos traços e contornos vai dando vida ao seu “desenho”, assim também é Deus na folha da nossa história, quando ali dá realidade ao seu projeto de amor.

                  Tenho aprendido e atestado com minha vida que para cada um Deus tem um propósito reservado, um desenho de Amor projetado. Não é um simples rabisco, ou rascunho, ao contrário, é um magnífico desenho, é a manifestação amorosa de um Deus que tem desígnios sobre nós tal como o artista que deseja imprimir sua marca, o seu rastro. Falo assim, porque é fascinante a beleza escondia no universo das palavras “desígnio” e “desenho”. Ambas, derivam das expressões “designare”, palavra em latim, sendo mais tarde respectivamente adaptada para o inglês “design” e o espanhol “diseño”.
                  Designare, que significa designar, é a partir dos olhos da fé, aquele movimento no qual Deus se serve para desenhar em nossa história uma vocação, uma missão, um chamado.... Respeitando a nossa liberdade, Ele vai formando em nós dia após dia, os traços deste desenho, nos fazendo tocar nas expressões dos seus santos desígnios.
                  Tudo é muito simples e de fácil entendimento, sobretudo, quando encontramos no contexto da Carta de São Paulo aos Efésios, ele nos esclarecendo o que seria um desígnio divino. Segundo nosso Apóstolo, “Deus nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em seu Amor formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos- desígnio de reunir em Cristo todas as coisas. Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por iniciativa amorosa da sua vontade” (Ef 1, 9-11).
                  Bem, nossa reflexão não se esgota... Diríamos que o que foi partilhado até aqui são os primeiros contornos de um desenho escondido no coração de Deus... E a partir destas provocações já poderíamos nos perguntar: o que Deus tem desenhado em minha história: Quais tem sido os desígnios que Ele tem me reservado? Meu irmão, enquanto caminhamos ao encontro das respostas fiquemos com a recordação mais uma vez de Paulo, que “ Deus nos salvou e chamou para a Santidade em virtude do seu desígnio” (II Tm 1, 9).

Seu irmão,
          Jerônimo Lauricio ( Com. Canção Nova)